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12 de janeiro de 2021

A vulnerabilidade de sermos vulneráveis

12 de janeiro de 2021

A vulnerabilidade de sermos vulneráveis

Jackeline Leal Por Jackeline Leal
@jackelineleal_
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“É simples e complicado assim: se desejamos uma experiência integral de amor e pertencimento, devemos acreditar que somos merecedores de amor e pertencimento”.

Brené Brown

Vivemos em um mundo bastante complexo e circundado por paradoxos imensuráveis. A cada dia somos convidados a repensar nossas práticas, pois o novo se torna em questão de dias e até minutos, obsoleto, velho.

A tecnologia tem uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Mas quando falamos em paradoxos é preciso ir além, estamos falando da dificuldade em estabelecer parâmetros coletivos do que é certo ou errado, aceitável ou inaceitável, digno de pena ou de raiva. Estamos falando de termos perdido, enquanto sociedade, as rédeas da situação e estarmos vivendo em um eterno campo de batalha.

Em meio ao caos em que estamos vivendo nos conectamos via internet, e nos desconectamos das relações sociais, isto é, das pessoas.

Acreditamos que somos autossuficientes, que é possível “conseguir sozinho”. Como cita Brené Brown no livro “A Arte da imperfeição, pág. 43”, “é como se tivéssemos dividido o mundo – entre aqueles que oferecem ajuda e – aqueles que precisam de ajuda”.

Estamos aos poucos construindo alternativas as quais eu costumo chamar de muros, para que seja possível levar a vida.  Esses muros nos colocam em constante estado de defesa/alerta, onde estar atento o tempo todo é a única saída para eliminar a chance de um ataque que vem do outro lado do muro.

O pior é que não estamos dando conta de perceber que quem está do outro lado do muro são pessoas como nós, que também estão trabalhando para construírem os seus próprios muros, ou seja, sobreviver.

Estamos vivendo num mundo onde tem nos faltado um pouco mais de amor ao próximo. É paralisante ver as pessoas sentindo-se obrigadas a construir muros por acreditar que não é correto pedir ajuda quando se precisa dela.

Nós aceitamos a dura fantasia de que somos suficientes em nós mesmos e isso faz o ser humano viver eternamente no mito dos “Super-Heróis”, do ser humano invencível.

Estereótipos como estes, se não forem descaracterizados, vão sendo reforçados no nosso dia a dia.

As crianças vão vendo isso na escola, os adolescentes nos grupos de amizades, os adultos nas empresas e por aí vai. Ninguém para você para dizer que chega com tudo isso, e que pedir ajuda não é tão ruim assim.

Esse assunto me remete a um exemplo pessoal que é o fato de eu ter saído da casa dos meus pais aos 17 anos para “estudar na capital”. Até os 27 anos dividi apartamento com parentes e amigos e nos últimos três anos desta trajetória, eu vivi sozinha.

E aos poucos, fui me dando conta de que quanto mais tempo eu vivia sozinha, mas eu me sentia como um “Super-herói”, mais eu me sentia autossuficiente e independente. Acredito que naquela época eu confundia independência com autenticidade, com felicidade. Não foram tempos ruins, pelo contrário, foram tempos necessários.

Certo dia, acordei e resolvi comprar um cachorro. Parece piada, mas ele mudou a minha relação com o cuidar e o precisar de ajuda. Ainda assim, estou em constante processo de aprendizagem e atualmente meu maior professor tem sido o meu esposo, que com toda simplicidade está sempre, sempre disponível para me ajudar.

Você possivelmente está entendendo o que eu quero dizer.  Por exemplo, quando você se dá conta de que carregou todas as sacolas de compras do carro, sozinha, e que isso resultou em um mau jeito na coluna.

Eu tenho amigas “Super Mulheres” que nem água em bar aceitam que paguem para elas. Estes são exemplos muito simples, certamente você tem mais aí com você, não tem?

Bem, na verdade, quando você está vivendo este tipo de situação que te leva a se fantasiar de “Super Herói”, onde ninguém pode na verdade saber a sua identidade, isso se torna um tanto contraditório, afinal de contas, se você pensar bem, tudo que você gostaria mesmo era de receber um pouco de reconhecimento, ajuda, um ombro amigo, um abraço, amor.

Esse reconhecimento eu chamo de necessidade de amor e pertencimento. Uma necessidade inata ao ser humano que faz com que passemos toda nossa vida em busca de pertencimento e aceitação

Ser aceito implica que sejamos recebidos pelo outro com todos os seus defeitos, fragilidades, ansiedades, qualidades, ou seja, como realmente somos.

E a fórmula de sucesso está em, primeiramente, aceitar-se como você realmente é. Não deixar para amanhã o sentimento de plenitude que você poderia ter vivido hoje.

E segundo, no entanto não menos importante, acreditar que todos nós somos merecedores de amor e pertencimento.

E vamos lá, se o segredo para ser feliz é abrir mão de alguns comportamentos antigos, aqueles velhos hábitos que nos impedem de viver relacionamentos verdadeiros de troca e reciprocidade… podemos estar atrasados, mas nunca é tarde para iniciarmos uma mudança.

Jackeline Leal Jackeline Leal
@jackelineleal_
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